À Flor da Pele

quarta-feira, julho 23, 2008

O meu Amor pequenino

Sinto por ti um amor único. Incondicional, incomensurável, um amor protector e quase pasmado... Não sei como foi possível teres sido concebido, mas acredito que tinhas mesmo de o ser. Não consigo imaginar a vida sem ti, e creio que o mundo não poderia continuar a girar se não tivesses chegado.
Passo horas a olhar-te, a adorar-te, como não tinha sido possível fazer quando nasceu a tua irmã. Tu és mais tranquilo mas, acima de tudo, eu sou uma pessoa diferente. Mais crescida, muito mais madura e capaz de relativizar todos os problemas desta vida.

O amor que sinto por ti, meu pequenino J., só é comparável ao que sinto pela tua maninha e isto faz de mim uma pessoa melhor, completa e FELIZ. Apesar de toda a turbulência.

Obrigada, meu querido óvulo misterioso ;)

sexta-feira, julho 11, 2008

17.06.2008

Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher bonita

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
o ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós